domingo, 20 de novembro de 2016

O carro autônomo é como um dinossauro elétrico: tem todos os defeitos do bicho extinto mas pinta de modernoso


Carros elétricos testados em Curitiba. Foto: www.fotospublicas.com.br

LEÃO SERVA

O Salão do Automóvel, em São Paulo, apresenta vários carros elétricos ou híbridos. Há também os que estão preparados para serem dirigidos por controle remoto ou por computação, carros autônomos. É uma tentativa da indústria automobilística sobreviver à decadência do automóvel como solução de mobilidade. Jogando na confusão entre os problemas provocados pelo carro (como se a poluição fosse o único ou preponderante), as fábricas de carros tentam convencer o mundo de que se os motores forem elétricos "tudo bem".

Não é tudo bem. O automóvel guiado por controle remoto busca renovar a imagem do produto dominante da economia do século 20 que vive acelerada decadência no século 21. Em todo o planeta, a imagem dos autos passou a ser associada a poluição, tortura, estresse, congestionamento e lentidão. O carro é o cigarro do século 21, como diz o urbanista brasileiro Jaime Lerner, mesmo quando não polui.

Não é para menos, todas as grandes metrópoles têm mais carros registrados do que cabe em suas ruas. São Paulo é um exemplo perfeito: com mais de sete milhões de carros emplacados mas só cerca de três milhões circulando diariamente, quando um percentual maior de gente tira seu veículo particular da garagem, a cidade para. Por isso, a velocidade do deslocamento no trânsito das grandes cidades é pouco maior que o do pedestre, semelhante ao da charrete e menor do que o de bicicleta, todas tecnologias antigas.

E aí reside a mentira de quem tenta vender como solução a nova geração de carros que vem por aí: mesmo que todos os atuais fossem trocados por automóveis elétricos e autônomos, o congestionamento seguiria igual. Simplesmente não há espaço para eles.

O carro é como o dinossauro: precisa ser extinto para dar lugar à dominação de uma nova espécie. Mesmo que o filme "Parque dos Dinossauros" se tornasse realidade, os brontossauros não sobreviveriam no mundo de hoje. Nem se daria bem um Tiranossauro Elétrico. O destino do carro como o dos sauros é a extinção.





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