sábado, 19 de novembro de 2016

Comprar um carro é o pior investimento do mundo! Veja por que



"O uso do automóvel para deslocamentos nas grandes cidades é uma burrada imune aos alertas, como o cigarro, que resistiu até o fim do século 20 às evidências de que causa câncer. A propaganda de carros continua oferecendo virilidade e glamour, enquanto entrega congestionamento, estresse, doenças e aquecimento global.

"É por isso mesmo surpreendente ver que segue constante o percentual das pessoas que dizem reduzir de alguma forma o uso do carro. Desde a pioneira pesquisa feita pelo sociólogo Antônio Lavareda para o guia “Como Viver em São Paulo Sem Carro” (2012) até o levantamento divulgado pelo Ibope na semana passada, os números estão constantes em torno de 50%. Ou seja: metade dos moradores da maior cidade do Brasil buscam jeitos de usar menos o automóvel.

"Há muitas razões para isso. Se uma pessoa pensar direito não usará carro próprio para se locomover. Em primeiro lugar, tem a irracionalidade do próprio hardware: ele gasta cerca de 95% do combustível para levar a si mesmo. Faça a conta: um veículo médio pesa cerca de 1,5 mil quilos. E o motorista, 75kg (5%). E os carros levam geralmente só uma pessoa. Quer coisa mais irracional?


"A loucura é ainda maior se pensarmos no uso que fazemos do automóvel. Os usuários em São Paulo andam em média 20km por dia, em viagens de duas horas (os números não são muito diferentes em outras grandes cidades). As demais 22 horas do dia, o carro dorme (92% do tempo). Calcule se o preço de compra fosse investido: você admitiria que seu banco pagasse juros apenas por duas horas do dia? É por isso que uma empresa financeira norte-americana, Morgan Stanley, chamou o carro de “o ativo mais mal utilizado do planeta”.

Leia a íntegra deste texto no artigo Carro, o pior investimento do mundo publicado na coluna de Leão Serva na Folha de S.Paulo.

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