sábado, 3 de setembro de 2016

Grupo que avalia propostas para a mobilidade revela frustração com os candidatos de SP

Vista geral do estúdio no início do debate da RedeTV, UOL e Veja, na sexta-feira à noite


 As entidades que compõem a plataforma Mobilidade Ativa (MobilidadeAtiva.Org.br) avaliaram mal, novamente, as propostas e opiniões dos candidatos a prefeito de São Paulo, expressas no debate promovido na última sexta-feira pela RedeTV, pela revista Veja, pelo UOL e pelo Facebook.

Como no debate anterior, da TV Bandeirantes, os candidatos oscilaram entre desconhecimento e bobagens.

Veja o que diz a nota divulgada pela plataforma:

"A Ciclocidade e a Cidadeapé, que mobilizam um Grupo de Trabalho para acompanhar as eleições municipais deste ano do ponto de vista da mobilidade ativa, por meio da plataforma MobilidadeAtiva.Org.br, avaliaram as falas dos candidatos à Prefeitura da cidade de São Paulo durante o último debate, na noite de 02 de setembro, na RedeTV. De acordo com as associações, embora a mobilidade tenha sido um dos destaques no debate da RedeTV, algo que não havia acontecido no da Band, houve pouquíssimos ganhos em termos de propostas dos candidatos e avanços nas discussões. Talvez o único avanço real tenha sido a posição de Luiza Erundina, de querer “radicalizar” a participação popular efetiva no que concerne às decisões de mobilidade.

"Fato é que os posicionamentos, até agora meio dissimulados pelos programas de governo, ficaram mais claros - alguns até bastante explícitos. E, de um modo geral, tais posicionamentos são extremamente negativos para a agenda da mobilidade urbana, pois desconsideram que ela faz parte da Política Nacional de Mobilidade Urbana e ignoram a existência do Plano Municipal de Mobilidade e do Plano Diretor Estratégico. Em última análise, todos os candidatos que estão fazendo demagogia e incentivando o uso do automóvel estão indo contra a legislação vigente - e saindo ilesos com isso.

"Os candidatos também deixaram mais claras suas posições, repetindo bordões equivocados de que “não passam ciclistas” em muitas ciclovias (Major Olímpio); que ciclovias “destróem” o comércio (Russomanno, Major Olímpio e Marta); que ciclovias atrapalham o trânsito e foram pintadas de forma errada (Russomanno) e que foram feitas sem planejamento (Marta).

"A campanha Bicicleta faz bem ao comércio, lançada há um ano pela Ciclocidade, busca esclarecer estes equívocos sobre o comércio e o uso de bicicletas em São Paulo, mostrando o que pesquisas e estudos em todo o mundo já comprovaram: de que infraestrutura para a mobilidade ativa só faz melhorar o fluxo de pessoas e a movimentação em comércios de rua.

"Com relação à redução de velocidades, infelizmente também não houve novidades. Marta Suplicy e João Dória afirmaram mais uma vez que, para eles, a redução de velocidades não se relaciona à queda de mortes no trânsito e ambos reafirmaram sua disposição em voltar a aumentar a velocidades das Marginais aos limites anteriores.

"É importante dizer que a visão dos candidatos que defendem a volta das velocidades mais altas nas marginais, como Marta e Russomanno, é a de que é preciso retirar as pessoas que circulam por lá ou segregá-la com guard rails - esse posicionamento foi afirmado também nas Sabatinas do Estadão e UOL. Quem falou positivamente foi apenas Fernando Haddad, em sua fala de abertura, quando citou sua agenda de redução de mortes no trânsito.

"Mais uma vez, a discussão sobre mobilidade a pé manteve o senso comum de relacionar pedestres a calçadas - calçadas planas, adequadas, eficientes e bem feitas. Mesmo com a pergunta específica de uma mulher com mobilidade reduzida em uma ciclovia, o que poderia elevar o debate sobre acessibilidade. Os candidatos não estão levando em consideração que boas  calçadas dependem de fiscalização intensiva; e que essa agenda vai muito além das calçadas, pois pedestres precisam de segurança no trânsito para se locomover - e isso passa, necessariamente, por velocidades mais baixas por parte dos veículos automotores.

"Outro aspecto de destaque é a evidente falta de conhecimento por parte dos candidatos sobre o transporte público da capital. Russomanno, por exemplo, afirmou que poderia reduzir as fraudes no Bilhete Único com a instalação de câmeras, algo que já existe. Já João Dória demonstrou não saber que já existe transporte público 24h há mais de um ano em SP, sendo que a pergunta feita por uma pessoa entrevistada era exatamente sobre esse ponto.

"A entrada de Luiza Erundina, para o debate da mobilidade, teve um ganho pontual. Ela foi a única a citar a Política Nacional de Mobilidade Urbana e dizer que a mobilidade é um direito constitucional.

"Por fim, o bordão “industria da multa” foi mais uma vez repetido por alguns candidatos durante o debate. Insistindo ainda na desqualificação dos dados sobre redução de mortes e melhora nos índices de fluidez do trânsito, candidatos chegam a prometer a diminuição e a retirada de radares na cidade. Russomanno, por exemplo, defendeu a retirada de fiscalização e da guarda civil metropolitana “multando com pistolinha”. João Doria Jr, por sua vez, comprometeu-se “resolver a questão das mortes” apenas com campanhas educativas, deixando evidente que isto significaria afrouxar a fiscalização das infrações e dos comportamentos que matam centenas e colocam a vida de milhares de pessoas em risco todos os dias.

"Por fim, avaliamos que, embora os posicionamentos não tenham mudado, o grande ganho deste debate é que as posições estão cada vez mais evidentes para os eleitores. O que evidencia as enormes contradições entre programas de governo progressistas e discursos retrógrados.

Plataforma Mobilidade Ativa

"A plataforma MobilidadeAtiva.org.br foi criada a partir de uma parceria inédita entre as associações Ciclocidade e Cidadeapé, com o objetivo de acompanhar e ajudar a melhorar o debate sobre os modos ativos de transporte (bicicleta e a pé) nas eleições municipais da cidade de São Paulo em 2016.
"O site acompanha os compromissos e posicionamentos das candidatas e candidatos mais expressivos sobre os principais temas relacionados direta ou indiretamente a quem caminha ou pedala na cidade.O monitoramento é realizado por voluntárias e voluntários das duas associações e atenta-se a tudo o que é falado em debates, sabatinas, entrevistas, redes sociais e horário eleitoral gratuito. Os prefeitáveis são então posicionados em uma escala de humanização de cidades, de acordo com o quanto estão efetivamente se comprometendo com avanços para a agenda da mobilidade ativa em São Paulo."


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