terça-feira, 10 de novembro de 2015

São Paulo não presta atenção à coisa mais importante para a vida da cidade: os ônibus



Não há serviço público mais importante para a cidade de São Paulo do que os transportes públicos, especialmente os ônibus municipais, que levam e trazem diariamente 6 milhões de paulistanos. A Prefeitura abriu o processo de concorrência que vai mudar muita coisa, melhorando o desempenho dos corredores, a qualidade dos veículos, a distribuição das linhas. Ao mesmo tempo, várias questões do novo projeto levantam críticas de especialistas. Mas a sociedade assiste a tudo meio alienada, como se fosse em uma cidade distante.

Trata-se da "maior licitação do planeta", segundo disse o prefeito Fernando Haddad em recente entrevista à rádio CBN. Vai contratar empresas por 20 anos para administrar cerca de 13 mil veículos (hoje são quase 15 mil), a um custo estimado de R$ 140 bilhões, que deve aumentar ao longo dos anos. Dos seis milhões de paulistanos que se movem de coletivos, metade pega dois ônibus, o que resulta em 9 milhões de viagens de ida e outras tantas de volta ao fim do dia. É mais do que Metrô e CPTM juntas.

Para ter uma ideia do volume, toda a educação municipal abriga pouco mais de um milhão de crianças (somando pais e mães é metade do número de usuários de ônibus). A saúde municipal atende 4 milhões de pessoas, menos do que os usuários dos transportes públicos (e elas não vão todo dia duas vezes ao médico...).

Nenhum serviço público é tão importante quanto esse. Merecia mais atenção da cidade. No artigo  "Ônibus: agora é que são eles!" publicado na segunda, 9, na Folha, listo seis pontos problemáticos da licitação. Dá uma olhada.

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